O Meteorito de 1969

Valor científico do meteorito que caiu na Austrália e é utilizado até hoje em pesquisas que buscam embasar a Panspermia e em pesquisas que buscam entender a formação do sistema solar como um todo, pois contém informações de até 7,5 bilhões de anos.

Este meteorito, Murchison, que caiu na Australia em 1969 é uma peça extremante importante nos estudos sobre a origem da vida, principalmente quando analisamos sob a perspectiva da panspermia, ou seja, com sua origem de fora do sistema solar.



O meteorito de Murchison, visto na figura acima, é um dos mais estudados por conta de sua composição. Após muitos estudos, descobriu-se que o carboneto de silício presente na amostra data aproximadamente 7 bilhões de anos atrás, ou seja, antes mesmo da formação do nosso sistema solar.  Neste fragmento de meteorito também foram encontrados mais de 15 aminoácidos, ou seja, compostos importantes para a formação da vida e que vieram de fora da terra. Estes compostos foram preservados por conta dos demais materiais presentes no meteorito, ficando assim preservados mesmo passando pela atmosfera terrestre.

O meteorito de Murchison é chamado de condrito carbonáceo, ou condrito C, uma classe de meteoritos que possui uma alta concentração de carbono, de até 3%, na forma de grafite, além de compostos orgânicos como citado anteriormente, as vezes água e minerais.
Alguns dos aminoácidos presentes na amostra do meteorito de Murchison são: Alanina, Glicina, Ácido Glutâmico (Glutamato) entre outros não comuns como Isovalina e Pseudoleucina.
O meteorito continha uma mistura de aminoácidos dextrogiros e levogiros e destros. Várias linhas de evidência indicam que as porções internas de fragmentos bem preservados de Murchison são intocadas. Um estudo de 2010 usando ferramentas analíticas de alta resolução, incluindo espectroscopia, identificou milhares de compostos moleculares, incluindo mais de 60 aminoácidos, em uma amostra do meteorito. O escopo limitado da análise por espectrometria de massa fornece um potencial de milhares de composições moleculares exclusivas, estimando a possibilidade de milhões de compostos orgânicos distintos no meteorito.

Assim, em relação a bases nucleares, compostos de purina e pirimidina medidos foram encontrados no meteorito Murchison. As razões de isótopos de carbono para uracila e xantina indicam uma origem não terrestre para esses compostos. Esta espécie mostra que muitos compostos orgânicos podem ter sido liberados pelos primeiros corpos do Sistema Solar e podem ter desempenhado um papel fundamental na origem da vida.


Bibliografia:

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