Métodos de pesquisa utilizados pelos cientistas, suas aplicações e outras contribuições no século XX.
Antes dos anos 1880, a maioria das pessoas acreditava no "vitalismo", um conceito que defendia a ideia de que todos os seres vivos eram dotados de uma propriedade mágica que os diferenciava de objetos inanimados. Mas no começo dos anos 1880 pesquisadores descobriram diversas substâncias que pareciam ser únicas à vida, como a ureia.
O descobrimento, entretanto, até então era compatível com o vitalismo, visto que somente seres vivos estavam aptos a produzir essa substância. Em 1828, contudo, o químico Friedrich Wöhler deduziu uma maneira de fabricar ureia com base em cianato de amônio, elemento que não demonstrava conexão óbvia com seres vivos.
Em 1859 sucedeu o progresso científico mor do século XIX: a teoria da evolução, proposta por Charles Darwin, que explica como conseguiríamos ter aparecido de um único ancestral em comum. Não obstante, a teoria nada dizia sobre como o primeiro organismo surgiu. Darwin especulou, em 1871, sobre o que aconteceria caso uma quantidade pequena de água, cheia de compostos orgânicos simples, fosse banhada pela luz do sol.
Possivelmente uma parcela desses compostos seriam capazes de formar combinações para gerar certa substância com características análogas à vida, como uma proteína, e poderiam evoluir para se tornar algo mais complexo. Era uma ideia inicial que se tornaria base para a primeira hipótese de como a vida começou.
Em 1924, foi publicado o livro “A Origem da Vida”, pelo cientista Alexander Oparin, no qual alegava que as moléculas essenciais para a vida surgiram na água. Cinco anos mais tarde, o biólogo J. Haldane levantou teses similares e o conceito de que a vida manifestou-se pela primeira vez apoiado em uma espécie de "sopa" com ingredientes orgânicos e químicos, que ficou conhecida como a Hipótese Oparin-Haldane. A hipótese, ainda assim, não contava com nenhuma evidência experimental que a comprovasse.
Foi só em 1952 que o cientista Stanley Miller deu início ao experimento mais famoso sobre a origem da vida da história: ele conectou uma série de garrafas de vidro pelas quais circulavam quatro compostos que poderiam ter existido no início da Terra: água fervente, hidrogênio, amônia e metano. Na mistura resultante, ele encontrou dois aminoácidos: glicina e alanina. Os aminoácidos são freqüentemente descritos como os blocos de construção da vida.
| Fonte: Varsomics |
No início da década de 1950, os cientistas começaram a explorar a possibilidade de vida espontânea e naturalmente na Terra primitiva. Nesse período, diversas matérias biológicas já eram conceituadas, englobando o ácido desoxirribonucléico, ou "DNA". Somado ao fato de transportar nossos genes, o DNA também comanda as células de que modo fabricar proteínas. Todavia, esse procedimento é excessivamente complexo e as informações transportadas pelo DNA são tão preciosas que as células estão mais dispostas a protegê-las e copiar essas informações em outra molécula curta chamada ácido ribonucléico ou RNA. O RNA é semelhante ao DNA, mas não de fita dupla, mas de fita simples.
Em 1968, o químico britânico Leslie Orgel propôs que a primeira forma de vida não tinha proteína ou DNA. Pelo contrário, esta forma de vida é quase inteiramente composta de RNA. Insinuando que a vida começa com o RNA, Orgel sugeriu que um aspecto-chave da vida - sua capacidade de reprodução - aparece antes de qualquer outro aspecto. No entanto, outras características da vida são igualmente importantes. O mais óbvio deles é o metabolismo: a capacidade de extrair energia do ambiente circundante e usá-la para manter a vida. Para muitos biólogos, o metabolismo será a definição e a característica original da vida.
| © KEVIN HAND |
A busca pelo primeiro replicante
No ano de 1986, o cientista Walter Gilbert, propôs que a vida se iniciasse no “Mundo RNA". De acordo com ele, a primeira fase da evolução tratava-se de moléculas de RNA praticando as atividades catalíticas essenciais para se organizarem em uma sopa de nucleotídeo.
Porém, nos poucos mais de 30 anos depois de Gilbert ter apresentado sua teoria, até agora não há provas incontestáveis de que o RNA seja capaz de realizar tudo o que a teoria demanda dele. Uma dúvida que se destaca é que se a vida começou com uma molécula de RNA, o RNA deveria ser capaz de fazer cópias dele mesmo. Mas nenhuma forma de RNA consegue se auto-replicar. Nem o DNA consegue isso.
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